Guiana Francesa sem visto: guia para viajar sozinha (2026)
Brasileiras não precisam mais de visto para a Guiana Francesa desde 31/07/2026. Veja documentos, vacina, como chegar por Oiapoque, custos e segurança para viajar sozinha.
Por Redação Rota Dela · Atualizado em
Resumo rápido
- Visto
- Dispensado para até 30 dias (teste até 31/01/2027)
- Documento
- Passaporte válido por 3 meses após a saída
- Vacina
- Febre amarela obrigatória (CIVP)
- Seguro viagem
- Obrigatório, cobertura mínima de €30.000
- Moeda
- Euro (≈ R$ 5,91 em 28/09/2026)
- Melhor época
- Agosto a novembro (estação seca)
Sim, dá para viajar sozinha para a Guiana Francesa com tranquilidade, e ficou mais fácil em 2026. Desde 31 de julho de 2026, brasileiras não precisam mais de visto para estadias de até 30 dias. Continuam obrigatórios o passaporte, a vacina de febre amarela e um seguro viagem com cobertura mínima de €30.000. A viagem pode ser feita de avião, saindo de Belém, ou por terra, cruzando a ponte entre Oiapoque (AP) e Saint-Georges.
Neste guia você encontra as regras de entrada atualizadas, o passo a passo da fronteira, quanto custa, o que fazer e os cuidados de segurança para quem viaja sozinha.
Vale a pena ir sozinha para a Guiana Francesa?
A Guiana Francesa é um pedaço da França na América do Sul: você paga em euro, fala francês (ou arrisca o portunhol, bastante entendido perto da fronteira) e encontra padarias francesas no meio da floresta amazônica. Para quem viaja sozinha, isso tem vantagens reais:
- Infraestrutura europeia: saúde, transporte e serviços públicos seguem o padrão francês nas cidades do litoral.
- Perto do Brasil: dá para ir de carro a partir do Amapá, sem voo internacional.
- Roteiro diferente: base de lançamento de foguetes, ilhas que foram presídio, pântanos com jacarés e praias de desova de tartarugas gigantes.
O que pesa contra é o custo alto (os preços ficam acima dos da França continental) e o fato de o transporte público ser limitado. Fora das cidades, muita coisa depende de carro ou de passeio contratado.
Brasileira precisa de visto para a Guiana Francesa?
Não, para viagens curtas. A França suspendeu a exigência de visto de curta duração para brasileiros que vão à Guiana Francesa a partir de 31 de julho de 2026. A regra permite ficar até 30 dias dentro de qualquer período de 180 dias.
Muitos sites em português ainda mandam pedir o antigo "visto DROM". Essa informação está desatualizada para turismo de até 30 dias. O visto continua necessário apenas para:
- estadias de mais de 30 dias;
- estudo, trabalho, residência ou atividade comercial.
Nesses casos, o pedido é feito pelo portal France-Visas, com atendimento presencial na Embaixada da França em Brasília ou nos consulados do Rio de Janeiro, de São Paulo ou do Recife.
Por que a regra é diferente da França? A Guiana Francesa é território francês, mas não faz parte do espaço Schengen. Por isso, a regra de 90 dias sem visto que vale para brasileiras em Paris nunca se aplicou por lá.
Documentos exigidos na fronteira
Mesmo sem visto, a polícia de fronteira francesa pode pedir todos os documentos abaixo. Leve tudo impresso ou salvo offline no celular:
| Documento | Exigência |
|---|---|
| Passaporte | Válido por 3 meses após a saída, 2 páginas em branco, emitido há menos de 10 anos |
| Vacina | Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) contra febre amarela |
| Seguro viagem | Cobertura médica para toda a estadia, mínimo de €30.000 |
| Hospedagem | Reserva de hotel ou atestado de acolhimento de um morador |
| Dinheiro | Comprovação de recursos para cada dia de viagem (veja abaixo) |
Quanto dinheiro comprovar por dia:
- €65 por dia se você tiver reserva de hotel;
- €32,50 por dia se for se hospedar na casa de alguém, com atestado de acolhimento (attestation d'accueil);
- €120 por dia se não tiver comprovante de hospedagem.
Cartão de crédito internacional conta como comprovação. Valores a partir de €10.000 em espécie precisam ser declarados.
Vai de carro? Leve a CNH, os documentos do veículo e um seguro válido na Guiana. Na fronteira é possível contratar um seguro temporário (cerca de €95 por 15 dias ou €170 por mês). Muitos viajantes também tiram a Permissão Internacional para Dirigir (PID) para evitar problemas em blitz.
Vacina de febre amarela e outros cuidados de saúde
A vacina de febre amarela é obrigatória para entrar na Guiana Francesa. O certificado (CIVP) pode ser emitido de graça pelo app Meu SUS Digital ou pelo gov.br, e a versão digital é aceita. Se você ainda não tomou a vacina, faça isso pelo menos 10 dias antes da viagem, que é o prazo para ela começar a valer.
Outros cuidados:
- Malária: o risco se concentra ao longo dos rios de fronteira (Oiapoque e Maroni), no interior e em áreas de garimpo. No litoral turístico, entre Caiena e Kourou, o risco é baixo. Se for fazer passeio de rio ou floresta, converse com um médico sobre prevenção.
- Dengue, zika, chikungunya e oropouche: use repelente o dia todo e prefira roupas de manga comprida ao entardecer.
- Seguro com evacuação: fora do litoral o atendimento médico é limitado. Escolha um seguro que cubra remoção.
Como chegar: avião ou por terra via Oiapoque
De avião, saindo de Belém
A Air France opera a rota Belém → Caiena, com voo semanal, em geral aos sábados (cerca de 1h10 de voo). A frequência e os dias mudam ao longo do ano, então confira direto no site da companhia. Voos saindo de outras capitais brasileiras costumam fazer conexão em Belém ou passar por Paris, o que encarece muito.
Por terra: Macapá → Oiapoque → Saint-Georges → Caiena
É a rota mais barata e a mais usada por brasileiros:
- Macapá até Oiapoque pela BR-156. O trecho até Calçoene é asfaltado. Entre Calçoene e Oiapoque ainda há cerca de 110 km de terra, com atoleiros no período de chuvas (dezembro a julho). Vá de ônibus ou carro com tração e cheque a situação da estrada antes de sair.
- Saída do Brasil na Polícia Federal, no centro de Oiapoque. Não pule essa etapa.
- Travessia do rio Oiapoque. Pela ponte binacional (de carro) ou de catraia (barco), que leva de 10 a 15 minutos e custa entre €5 e €10.
- Entrada na França no posto da polícia de fronteira (PAF) na ponte, aberto todos os dias, das 7h às 19h. Quem atravessa de catraia também precisa passar por esse posto.
- Saint-Georges até Caiena: cerca de 190 km pela estrada N2, de 2h30 a 3h. Táxis coletivos cobram por volta de €50 a €70 por pessoa. No caminho há uma barreira policial em Bélizon que confere o documento de todos os passageiros.
A Guiana Francesa é segura para mulheres sozinhas?
Em geral, sim, com os cuidados de qualquer cidade grande. O governo do Canadá classifica a Guiana Francesa no nível mais baixo de alerta ("tome as precauções normais"). Mesmo assim, existem riscos que você precisa conhecer:
- Furtos e roubos são comuns em áreas turísticas e no transporte, principalmente em Caiena, Kourou e Saint-Laurent-du-Maroni. Há casos de roubo de bolsa por pessoas de moto.
- Violência sexual: o balanço oficial de 2025 mostrou alta de 8% nos registros de violência sexual. Não é motivo para desistir, mas reforça os cuidados à noite.
- Interior e garimpo: a maior parte dos homicídios está ligada ao garimpo ilegal no interior. Não entre em áreas de floresta ou de rio sem guia credenciado.
Cuidados práticos:
- Evite caminhar sozinha depois de escurecer, especialmente no centro de Caiena. Use táxi chamado pelo hotel.
- Não deixe bolsa ou celular à vista em carros estacionados, praias e terraços.
- Prefira hospedagens bem avaliadas por outras mulheres e compartilhe seu roteiro com alguém de confiança.
- Na estação chuvosa, estradas podem alagar. Evite dirigir à noite entre cidades.
Em emergência, ligue 112 (número europeu, funciona de qualquer celular). Os números franceses também valem: 17 para polícia e 15 para atendimento médico (SAMU).
Quanto custa viajar pela Guiana Francesa
A Guiana Francesa é cara, até para padrões europeus. Segundo o INSEE, o instituto de estatística francês, os preços ficam em média 14% acima dos da França continental, e a alimentação chega a ser 39% mais cara.
Um bom ponto de partida para o orçamento são os mínimos que a própria imigração exige, convertidos pelo câmbio de 28/09/2026 (€1 ≈ R$ 5,91):
| Item | Em euro | Em reais (aprox.) |
|---|---|---|
| Mínimo diário com hotel reservado | €65 | R$ 385 |
| Mínimo diário sem hospedagem comprovada | €120 | R$ 710 |
| Barco para as Îles du Salut (ida e volta) | €43 | R$ 255 |
| Passeio no Marais de Kaw | €65 a €189 | R$ 385 a R$ 1.115 |
| Visita ao Camp de la Transportation | €15 | R$ 90 |
| Táxi coletivo Saint-Georges → Caiena | €50 a €70 | R$ 295 a R$ 415 |
Na prática, quem viaja sozinha em hotel simples deve separar pelo menos R$ 600 a R$ 800 por dia, sem contar passeios e aluguel de carro. Viajar sozinha também significa não dividir quarto nem táxi, o que pesa mais aqui do que em outros destinos.
O que fazer: roteiro de 6 dias
Dia 1 – Caiena. Caminhe pela Place des Palmistes, suba ao Fort Cépérou para ver a cidade de cima e prove comida crioula no mercado central.
Dia 2 – Centro Espacial de Kourou. A visita ao Centre Spatial Guyanais é gratuita, mas exige reserva com pelo menos 48 horas de antecedência e documento de identidade. Se coincidir com um lançamento do foguete Ariane, reserve lugar nos pontos de observação.
Dia 3 – Îles du Salut. O barco sai de Kourou todos os dias às 8h30 e volta às 16h30 (€43 ida e volta). Na Île Royale ficam as ruínas do antigo presídio que inspirou o livro Papillon. Macacos e cutias circulam livremente.
Dia 4 – Marais de Kaw. A cerca de 1h30 de Caiena, o pântano de Kaw é um dos melhores lugares para ver jacarés e aves. Os passeios noturnos de barco são os mais procurados. Vá com agência: não é lugar para explorar sozinha.
Dias 5 e 6 – Saint-Laurent-du-Maroni. A cidade fica na fronteira com o Suriname. Visite o Camp de la Transportation (€15, com visitas guiadas em vários horários) e, entre março e julho, estique até Awala-Yalimapo para ver a desova das tartarugas-de-couro. Contrate guia ou passeio organizado, porque a região exige mais atenção com segurança.
Melhor época para ir
- Agosto a novembro: estação seca. É o melhor período para passeios, praias e estradas.
- Março: o petit été de mars ("veranico de março") costuma trazer uma ou duas semanas de sol.
- Abril a julho: chuvas fortes e estradas mais difíceis, mas é a temporada de desova das tartarugas (pico em abril e maio).
- Dezembro a fevereiro: chuvas mais leves e época do Carnaval guianense, um dos mais longos do mundo.
Dicas práticas: idioma, celular e dinheiro
- Idioma: o oficial é o francês, e o crioulo guianense é muito falado. Perto de Oiapoque e Saint-Georges muita gente entende português. Em Caiena e Kourou, baixe o francês offline no tradutor.
- Celular: Claro, Vivo e TIM oferecem pacotes de roaming para a Guiana Francesa. Compare com um chip europeu, que funciona lá como na França.
- Dinheiro: cartões internacionais são aceitos em hotéis, supermercados e restaurantes das cidades maiores. Fora delas há poucos caixas eletrônicos, e comércios pequenos aceitam só dinheiro vivo. Leve alguns euros em espécie.
- Tomadas: padrão francês, 230 V. Leve adaptador e confira se seus carregadores são bivolt.
Checklist antes de embarcar
- Confirmar se a dispensa de visto continua valendo nas datas da viagem
- Passaporte válido por pelo menos 3 meses após a volta
- Certificado de vacina de febre amarela (CIVP) no celular e impresso
- Seguro viagem com cobertura mínima de €30.000 e remoção médica
- Reserva de hotel ou atestado de acolhimento impresso
- Cartão de crédito internacional e alguns euros em espécie
- Reserva da visita ao Centro Espacial (48h antes)
- Roteiro compartilhado com alguém de confiança
- Se for de carro: CNH, PID, documentos e seguro do veículo
Perguntas frequentes
Brasileira precisa de visto para a Guiana Francesa em 2026?
Não, para viagens curtas. Desde 31 de julho de 2026, brasileiras podem ficar até 30 dias a cada 180 dias sem visto. A dispensa é um teste válido até 31 de janeiro de 2027 e pode ser renovada ou encerrada, então confirme a regra no site da Prefeitura da Guiana antes de viajar.
Posso entrar na Guiana Francesa só com RG?
Não. A Guiana Francesa exige passaporte válido por pelo menos 3 meses após a data de saída, com duas páginas em branco e emitido há menos de 10 anos. O RG não é aceito, porque o território não faz parte do Mercosul.
A vacina de febre amarela é obrigatória para a Guiana Francesa?
Sim. O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) contra febre amarela é exigido na entrada. Você pode emitir a versão digital pelo app Meu SUS Digital. Tome a vacina com antecedência, idealmente pelo menos 10 dias antes da viagem.
Qual o horário da ponte entre Oiapoque e Saint-Georges?
O posto da polícia de fronteira francesa na ponte binacional funciona todos os dias, das 7h às 19h, inclusive em feriados. Mesmo quem atravessa o rio de catraia precisa se apresentar nesse posto.
Quanto dinheiro preciso comprovar para entrar na Guiana Francesa?
O mínimo é de €65 por dia com reserva de hotel, €32,50 por dia com atestado de acolhimento de um morador ou €120 por dia sem comprovante de hospedagem. Cartão de crédito internacional é aceito como comprovação.
A Guiana Francesa é segura para mulher viajando sozinha?
O Canadá classifica o território no nível de precauções normais, mas há furtos e roubos em Caiena, Kourou e Saint-Laurent-du-Maroni, e os registros de violência sexual subiram em 2025. Evite andar sozinha depois de escurecer, prefira hospedagens bem avaliadas e não vá para o interior sem guia.
Fontes consultadas
- Prefeitura da Guiana: fim da obrigação de visto de curta duração para brasileiros (29/07/2026)
- Embaixada da França no Brasil: suspensão do visto de curta duração (atualizado em 04/08/2026)
- Governo do Canadá: conselhos de viagem para a Guiana Francesa (24/09/2026)
- ARS Guyane: malária (paludisme)
- gov.br: como obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP)
- INSEE: comparação de preços entre a Guiana e a França continental
- Centre Spatial Guyanais: visitas